Softwares brasileiros chegam a novos países Jornal DCI – São Paulo – 20/03/2006 As turbinas da usina hidrelétrica do Rio Chicapa, em Angola, que deverão gerar 20 MW (megawatts) de energia a partir do segundo semestre, serão controladas por um software 100% brasileiro, desenvolvido pela catarinense Reivax. A empresa integra o Pólo Tecnológico de Florianópolis e desde 1987 é especializada na fabricação de sistemas e equipamentos para o controle e supervisão da geração de energia elétrica e acaba de vencer licitação, onde participaram outros quatro grupos internacionais, para um consórcio russo. Esse é apenas um exemplo do sucesso que as empresas brasileiras desenvolvedoras de software estão tendo no exterior. Os novos contratos fechados este ano redesenham o mapa de atuação do produto, e insere a tecnologia nacional em países como Alemanha, Portugal, Espanha, Polônia, Rússia e também o Leste Europeu. Algumas das empresas responsáveis pela expansão externa são Acker, Degistar, Audaces, Ligh Infocon, além da própria Reivax. Segundo a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), o Brasil exportou US$ 340 milhões no ano passado em softwares e serviços relacionados à área de tecnologia da informação (TI). A expectativa é que esse número aumente em 20% por ano. A meta do governo é atingir US$ 2 bilhões em exportações nesta área até 2007. “O mercado europeu absorve cerca de 30% desse montante. Mas o Brasil está fazendo um esforço grande para ampliar a participação em outros mercados como Estados Unidos, México, Canadá e Japão”, afirma José Antonioni, coordenador geral da Softex. Disputa acirrada O grupo catarinense, Reivax, diz que conseguiu vencer a concorrência internacional com “o melhor preço dentro dos requisitos técnicos”. Para o engenheiro de vendas Marcio Faria Fidelis, a nova conquista irá permitir que a empresa atinja novos clientes e parcerias no velho continente, tendo contatos avançados na Romênia, por exemplo. O valor da compra não foi divulgado porque, segundo a empresa, ela pode ser prejudicada nas licitações internacionais. O mercado da empresa já está distribuído, hoje, cerca de 59% no Brasil e 41% no exterior. A paraibana Light Infocon Tecnologia fornecedora de software para o gerenciamento informação, comemora a parceria realizada em janeiro com a Câmara Municipal de Castanhede em Portugal. O negócio inicial foi de 21 mil euros, mas há forte expectativa de novas licenças serem adquiridas ao longo do ano. Os contratos que a empresa já tem com a polícia e o Ministério da Defesa da Espanha, exigiram que ela inaugurasse um escritório na cidade de Aveiro em Portugal. “Os clientes estatais exigem um atendimento mais próximo e além disso, agora temos uma base para alavancar novos negócios na Europa”, afirma o diretor Alexandre Moura. A empresa também tem negócio fechado com um distribuidor alemão que sob o regime de royalties vai colocar no mercado o software brasileiro. “Receberemos de acordo com a complexidade dos ajustes exigidos pelos projetos que abrigarão nosso programa”, explica Moura. Para 2006, a empresa pretende ampliar para 20% a participação da exportação no faturamento que em 2005 foi de 15%. A Acker – que atua no ramo de segurança de informação – também começou o ano com negociações avançadas para entrar no mercado polonês – cujo distribuidor já fez a primeira aquisição. “Esperamos terminar o ano exportando cerca de US$ 200 mil dólares”, afirma Marcos Sarres, diretor comercial. Em 2005, a empresa obteve um faturamento de R$ 12 milhões, sendo 5% oriundo do mercado externo. “O tipo do nosso produto exige uma atualização num prazo de dois anos, então esperamos ganhar espaço hoje ocupado principalmente pelas multinacionais“, afirma Marcos Sarres diretor comercial da empresa. Para 2006, a empresa traçou a ambiciosa meta de crescer 50%. “O mercado já sinalizou algumas tendências que nos permitem esse otimismo”, afirma Sarres. Na Audaces, líder na América Latina na produção de softwares voltados para área têxtil, a Europa representa 2% do faturamento obtido com exportações, mas está crescendo. A empresa avalia a região com um mercado exigente e exportar para lá atesta a qualidade dos produtos nacionais. A media estimada de crescimento da participação européia é de 20% ao ano. A exportação total da empresa alcançou aproximadamente US$ 150 mil em 2005. “A exportação ainda representa pouco para a empresa, mas o mais importante é estar se posicionando em mercados bastante competitivos, consolidando a marca no exterior com o objetivo de longo prazo”, explica o diretor da empresa e responsável pelo processo de internacionalização Cláudio Roberto Grando. A Audaces cresceu aproximadamente 10% em 2005 e a meta para 2006 é de 15%. A empresa comercializa também softwares embarcados (embutido nos produtos). O sucesso em território europeu começa aos poucos. Em dezembro de 2005, aa Audaces começou os negócios com Portugal e há cerca de seis anos, com a Espanha – com um incremento de vendas devido à entrada de um novo distribuidor no país, além da Itália. Países com menos fama, como Lituânia e Romênia, também figuram entre os clientes da empresa. Os principais países de destino dos produtos da empresa são Argentina e México, seguidos do Chile, Uruguai, Venezuela, Egito, Costa Rica, Guatemala. A empresa espera também conquistar outros mercados mais distantes, como Índia e China. A catarinense especializada em automação têxtil compete com empresas estrangeiras no Brasil e em todos os demais países. Com a baixa cotação do dólar em 2005, a exportação se tornou menos atrativa e aumentou muito a competitividade de nossos concorrentes estrangeiros aqui no Brasil. “Esperamos que este cenário mude no próximo ano e que o Brasil crie melhores condições de exportação, diminuindo a burocracia e o custo Brasil”, avalia o diretor de negócios da empresa, Cláudio Roberto Grando. TV digital Hoje, a Digistar – que desenvolve sistemas de tecnologias emergentes aplicadas em comunicação móvel e TV digital – fatura US$ 40 milhões, sendo que 10% vem das exportações. Esse número, segundo David Britto, diretor técnico da empresa, poderá crescer ”cinco e seis vezes” se o Brasil optar pelo padrão europeu de TV digital. “O mercado interno será muito pequeno, principalmente no começo, mas na Europa o mercado é enorme. Muitas empresas serão prejudicadas dependendo da decisão do governo”, afirma ele. Hoje, 20% do faturamento da empresa vem de exportação. Para 2006, a expectativa é fechar o ano com 40% cerca de US$ 10 milhões. “Pretendemos fechar ainda este ano dois ou três contratos – que estão bastantes adiantados – com empresas inglesas e alemãs”, diz Britto.
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