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Empresas da Paraíba Rompem as Fronteiras
Jornal CORREIO da Paraíba - 07/05/2006
Por Renata Ferreira
Empresas e tecnologia genuinamente paraibanas estão conquistando mercados fora do Estado. Espanha, São Paulo e Brasília são apenas exemplos recentes do destino de algumas delas. O Governo não tem dados precisos de quantas das 33 mil pessoas jurídicas sediadas aqui possuem filial fora. Mas, para o secretário-executivo da Indústria e Comércio, Fabrício Oliveira, esse movimento em direção a novos mercados é um fato claro e que requer visão e profissionalismos da parte dos empresários.
A Paraíba está ganhando espaço, por exemplo, no setor da moda. Bijuterias, roupas e acessórios produzidos aqui fazem sucesso em grandes centros do mundo. Um dos nomes de destaque é o da empresária Celene Sitônio, que começou a trabalhar produzindo acessórios há 30 anos e hoje tem um showroom em São Paulo (SP), no bairro dos Jardins, uma das áreas mais nobres da cidade. Ela vende peças para os Estados Unidos, a Espanha, a Alemanha e a França, entre bolsas, roupas e bijuterias, e planeja aumentar as exportações em 400% este ano.
Os negócios fora do Brasil crescem mais rápido do que dentro. Para se ter idéia, no ano passado a marca Celene Sitônio vendeu 600 peças para outros países. Este ano a expectativa é de 3 mil peças, cinco vezes mais do que em 2005. Já o comércio interno deve crescer 33%. No lugar das 1,5 mil peças do ano passado, a empresa pretende vender na Paraíba e principalmente para outros estados do País pelo menos 2 mil unidades em 2006.
Para Celene, um dos motivos para o esperado crescimento das exportações é o recém-criado site da marca (www.celenesitonio.com), que servirá de ponto de venda on-line e poderá alcançar compradores tanto dentro da Paraíba quanto em países distantes.
Hoje, os principais clientes internacionais da marca estão em Madri e Barcelona, na Espalha; Paris, na França; Nova Iorque, Boston e Miami, nos Estados Unidos. Peças Celene Sitônio também podem ser vistas em Portugal e na Alemanha. O pedido mais recente veio de um mercado pouco explorado até então: a Costa do Marfim. A empresa esta mandando para lá até o final do ano 180 peças, entre roupas, bolsas e bijuterias.
Dentro do Brasil, a empresa vende principalmente para a região Sul, com destaque para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas Bahia, Minas Gerais e São Paulo também recebem parte da produção.
Em fevereiro, a empresária participou da feira Bijorhca Èclet de Mode, na França, uma das mais antigas do mundo, e recebeu atenção especial dos jornalistas que estiveram no evento. As peças produzidas na Paraíba foram classificadas como criativas e originais.
Quando perguntam a ela o segredo do sucesso, Celene Sitônio apenas comenta que se considera uma pessoa “meio maluca, mas de coragem”. Para a empresária, é necessário estar atualizada e em contato direto com o mercado. “Eu, por exemplo, participo de todas as feiras importantes do setor, como a Francal e a Couro Modas”, exemplifica.
A carreira dela começou nas artes plásticas. Na década de 70, seguiu a onda hippie e passou a se dedicar ao artesanato, aproveitando parte da técnica que já usava nos trabalhos artísticos. Além de acessórios, principalmente em couro, Celene produzia também móveis e objetos de decoração. Foi assim que surgiu a primeira empresa da ex-artista plástica: a Curral Artesanato em Couro.
Hoje a Celene Sitônio comercializa apenas peças com alto valor agregado, produzidas por ela mesma e quatro funcionários. “O trabalho é lento para ter qualidade”, comenta. Em período de grande demanda, a empresária terceiriza parte do serviço e aumenta o número de empregos em pelo menos 30.
Light Infocon
Portugal é a nova casa da Light Infocon, uma das maiores empresas de tecnologia do Estado e criadora de softwares que são usados até mesmo pela Interpol, a polícia internacional. O escritório foi montado em outubro do ano passado, na cidade de Aveiro. De acordo com o diretor da empresa, Alexandre Moura, o local é um conhecido pólo de tecnologia da Europa e se parece muito com Campina Grande. Essa é a segunda unidade da empresa fora da Paraíba. A primeira ficou em solo nacional, em Brasília.
Inaugurar um escritório no exterior foi, segundo Moura, uma maneira de estar mais próximo ao cliente, já que boa parte das vendas da Light Infocon é feita para outros países. Na Europa, são oito clientes, um deles conquistado já este ano. Até o final de 2006, a empresa espera ter 15 compradores europeus.
A importância das exportações no faturamento da empresa cresce ano a ano. Em 2004, elas representavam 13% da receita. No ano passado, o percentual subiu para 15%. Em 2006, os sócios esperam uma evolução maior das exportações do que das vendas totais. Segundo Alexandre Moura, os negócios da empresa devem aumentar em percentual igual ao esperado para a indústria nacional (de 8% a 10%) e a participação das vendas para o exterior provavelmente atingirá os 17% (crescendo, portanto, 13%).
Ele revela que a empresa esta focando atenções na Península Ibérica, região da Europa onde se situam Portugal e Espanha. Concretizados os planos para 2006, a empresa está planejando expandir ainda mais seus negócios na Europa no ano que vem. Hoje, há apenas um representante de vendas na Espanha. Em 2007, serão três: um em Madri, outro em Barcelona e outro no Norte do País.
Os dois escritórios da Light Infocon no Brasil são responsáveis pela geração de 42 empregos diretos. Um número pequeno se comparado a outros setores, mas condizente com a realidade do mercado de tecnologia, que demanda mais qualidade do pessoal contratado do que quantidade. “O nível dos empregos gerados por esse segmento é elevado. Noventa por cento dos nossos funcionários têm nível superior, boa parte com pós-graduação”, explica Alexandre Moura.
Entre os clientes nacionais da empresa estão a Gol, a Natura e a Polícia Federal. O produto mais conhecido da empresa é o Light Base, um software de gestão e recuperação de informações. “Imagine um Google em que você possa personalizar sua pesquisa”, exemplifica Alexandre Moura, fazendo referência ao maior site de busca da Internet. O programa é útil principalmente para órgãos como a Interpol, que demandam eficiência e agilidade na hora de recuperar informações de seus arquivos gigantescos.
A Light Infocon foi fundada em 1983, em Campina Grande. Desde o início, o mercado consumidor dos seus produtos se mostrou fora da Paraíba. Alexandre Moura lembra, por exemplo, que a primeira venda foi feita para uma empresa de Porto Alegre (RS). Cinco anos depois da fundação, ela já estava exportando.
Mangai
Comida regional com tempero paraibano. Há 16 anos, essa combinação tem levado pessoenses e, principalmente, turistas ao restaurante Mangai, no bairro de Manaíra, litoral da Capital. O local virou ponto de referência do roteiro de visitação da cidade e chamou a atenção até da mídia nacional. Seis anos atrás, os donos decidiram abrir uma unidade também na cidade de Natal (RN), onde o mercado turístico é mais intenso. Agora um passo maior será dado: ainda este ano, o Mangai deve estar firmando território em Brasília.
“Estamos atendendo a uma cobrança dos clientes”, comenta a diretora da unidade de João Pessoa, Luciana Maia de Albuquerque. Os proprietários sabiam que estava na hora de expandir de novo, mas estavam na dúvida entre a Capital Federal e Pernambuco. Mas foram os próprios clientes, muitos turistas, que recomendaram Brasília. Antes de bater o martelo, a empresa realizou uma pesquisa de mercado e verificou que o setor de alimento e lazer da cidade tem muito que oferecer.
Para Luciana Maia, esse tipo de estudo é essencial para quem pensar em aumentar o negócio. “A análise de mercado é um dos fatores mais importantes. E o empresário não pode depender de ajuda de órgão público, só da própria força”, comenta.
O Mangai iniciou as atividades com apenas seis funcionários. Hoje são 70 em João Pessoa e 100 em Natal, entre garçons, cozinheiros, encarregados de compra e até nutricionistas. Na Capital Federal, a expectativa é contratar pelo menos 70 pessoas.
De acordo com Luciana Maia, a empresa procura investir na qualificação da mão-de-obra financiando cursos de graduação em instituições particulares. Na unidade de Natal, 20 funcionários estão na universidade graças ao projeto. Em João Pessoa, são quatro, a maioria cursando gastronomia.
A diretora assegura que qualidade não é assunto negociável no restaurante e que o preparo da comida segue rígidos padrões. “Nossos fornecedores não são nossos fornecedores por acaso. Agora mesmo estamos com cinco pessoas fazendo uma visita técnica a um deles, em Recife. Tudo é minuciosamente analisado”, comentou, fazendo referência a uma inspeção que estava acontecendo no dia em que deu entrevista ao CORREIO.
Já o marketing não é investimento prioritário para o Mangai. Segundo Luciana Maia, a empresa vem contando mais com a fidelidade dos clientes do que com propaganda e mídia. “Nossa propaganda é a mais arriscada: o boca a boca”. O restaurante chega a atender, hoje, mais de 300 pessoas em dias de grande movimento, seis vezes mais do que nos primeiros anos de funcionamento da empresa.
Junto com a filial em Brasília, a empresa está realizando ampliações no restaurante de João Pessoa. Recentemente aumentou a área de 600 para 2 mil metros quadrados, incluindo um estacionamento. Até julho, estará pronta uma nova área de lazer para os funcionários e um setor de coleta seletiva. Já no próximo mês, os clientes poderão desfrutar de um novo ambiente climatizado com espaço para 80 pessoas. “Estamos em permanente reformulação para agradar o cliente, que está cada vez mais exigente”, comenta Luciana Maia.
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