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Nosso “Vale do Silício”
Jornal Correio da Paraíba - 20/11/2005
Campina produz e exporta para o mundo alta tecnologia e revela jovens talentos criadores da informática.
Não é a região da Califórnia (EUA) onde estão concentradas as maiores empresas do mundo no ramo de desenvolvimento de softwares, mas o pólo de informática de Campina Grande é, com certeza, uma das maiores forças desse setor no Brasil e na América Latina . São 19 empresas (oito incubadas pelo Parque Tecnológico da Paraíba e 11 que trabalham em parceria com o consórcio
PB-Tech) que desenvolvem e exportam softwares para 30 países.
Para se ter uma idéia do poder do "vale do silício" da Paraíba - na verdade, a nossa "serra do silício" - a Softex (Associação para Promoção da Excelência de Software Brasileira) escolheu oito empresas nacionais para participarem da Feira Internacional de Informática, Multimídia e
Comunicações (SIMO 2005), em Madri, e entre elas cinco são da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba e do PB-Tech.
O Consórcio PB-Tech, criado há três anos, chega a faturar anualmente cerca de US$ 700 mil com desenvolvimento e exportação de softwares. "O lucro líquido desde o princípio do projeto até o último mês de setembro bateu em US$ 1.450.000,00" afirma Marly Medeiros Gonçalves, coordenador executivo do consórcio.
O cheiro de tecnologia é tanto que o nosso vale atrai e mantém um ninho de novos talentos em sua maioria jovens recém saídos das universidades de Campina e de outros Estados do Nordeste. Eles rejeitam a alcunha de nerds, mas são estudiosos e compenetrados, azes em ciências exatas e levam o leptop debaixo do braço para onde vão. Nem por isso deixam de lado outras atividades, como é o caso de César Augusto, formado em informática pela UFCG, que é roqueiro. Já Welber Lucena, que desenvolve softwares de ponta, tem capacidade de criação e de trabalho em grupo, raciocínio lógico, domínio do inglês e capacidade de interagir em outras áreas.
‘Nerds’ dominam o ambiente do ‘vale’
Em sua grande maioria, os funcionários das empresas incubadas pelo Parque Tecnológico vêm de cursos da UFCG. Cerca de 80% são oriundos do curso de Ciências da Informática e, em segundo lugar, de Engenharia Elétrica, sendo que ambos gozam de altos conceitos do Ministério da Educação e Cultura.
Com a geração de novos empregos em áreas de ponta, a mão de obra local especializada - com destaque para os jovens talentos - vem sendo utilizada e a evasão para outros Estados diminuiu muito. Há também os jovens que vêm à Campina Grande, oriundos de várias capitais nordestinas, com promessas de emprego na área tecnológica que neste momento vive um período áureo na cidade.
O perfil desses jovens, em sua grande maioria do sexo masculino, chega a ser de certa forma parecido. Mesmo sendo estudiosos e compenetrados, eles não abrem mão de outras diversões e são unânimes em detestar a alcunha norte-americana "nerd" (viciados em computadores). São azes em ciências exatas e para onde vão, levam o leptop sob o braço, mas existe uma tendência de abertura para as humanidades. Mesmo assim, a maior parte da literatura que consomem vem de livros modernos escritos em inglês, comprados via Internet.
César Augusto Batista, 31 anos, formado em Informática pela UFCG e trabalhando há quatro anos na maior empresa geradora de softwares de Campina Grande, a Light Infocon, diz que a maioria das pessoas ligadas à área apresenta uma atitude circunspecta. "A alcunha de 'nerd' já caiu em desuso; a introspecção existe por causa da seriedade de nossas funções", avalia César, que nas horas vagas lê livros de literatura e viagem e adora ouvir rock'n'roll. "Tem que existir um contrapeso, pois ninguém agüenta passar a vida toda em frente ao computador e lendo a linguagem técnica".
César, que é natural de Alagoa Grande, trabalhava em uma empresa de informática em Salvador, BA, e veio à Campina após um convite da Light Infocon. "Muitos estudantes paraibanos optam em ir trabalhar em Brasília, pólo da informática nacional. Por outro lado, como o custo de vida na Paraíba é menor, nosso salário aqui compensa e trabalhamos na área que escolhemos", diz. Segundo ele, o pior na profissão é o que chama de "choque cultural": "duro é passar o dia estudando tecnologia de ponta e o que há de mais moderno no mundo, para depois sair da empresa e dar de cara com uma pessoa remexendo o lixo".
Precoce
Welber Lucena é outro talento precoce que já desenvolve softwares de ponta. Recém formado em Informática pela UFCG, foi contratado pela empresa Era Digital e fala que Campina atualmente é um grande pólo formador, mas que os salários são muito desiguais em relação à média nacional. "No geral, ganha-se salários em torno de R$ 1.200 a R$ 1.500, enquanto em outros lugares o estudante já se inicia na profissão ganhando R$ 4.000, fazendo o mesmo trabalho. Mas a cidade está dando seus primeiros passos e consolidando seu nome na área a cada ano", explica.
O diretor da empresa Era Digital, Henrique Cirne, diz que Welber foi escolhido para fazer parte do grupo por possuir os atributos necessários para a área: capacidade de criação e de trabalho em grupo, sólidos conhecimentos técnicos e teóricos, raciocínio lógico, domínio do inglês e capacidade de interagir em outras áreas. "Em Campina a mão de obra vem se especializando e há uma concorrência saudável, mas há muitas falhas na hora da comercialização, devido ao mercado ainda imaturo", revela Cirne.
Welber Lucena, enquanto ainda era estudante, fez parte de um programa intitulado PET, que estimula o intercâmbio dos alunos de Informática com outras áreas do conhecimento, especialmente na área de Humanas. "Eu participei dele e passei a ser leitor de filosofia e literatura, além dos
livros técnicos de informática. Isso ajudou muito a ampliar meus conhecimentos na área em que atuo", explica.
Welber diz que ainda conhece muitos estudantes capazes de passar dias seguidos em frente ao computador, mas que isso é uma característica dos chamados "feras". "Com o passar dos anos, descobre-se que a interação com outras áreas do conhecimento é salutar e tudo deve ser feito na exata medida, sem exageros", completa.
US$ 1,45 bilhões em menos de 3 anos
A Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB) foi criada em fins da década de 1980, já colhe os frutos de um trabalho sério que lhe rendeu vários prêmios e o reconhecimento de publicações internacionais. Em 1988 o PaqTcPB criou o seu Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica, que começou a dar suporte para empreendimentos tecnológicos, proporcionando-lhes a viabilização e operacionalização de novos negócios, nas áreas de eletro-eletrônica, informática, design, consultoria tecnológica e serviços na área de comunicação, eventos, comercialização, marketing, embalagens e afins que apresentem algum tipo de inovação.
Atualmente, oito empresas estão incubadas pelo PaqTcPB e outras onze empresas, que trabalham em parceria com o consórcio PB-Tech e também são apoiadas pelo PaqTcPB.
De acordo com o diretor geral da Fundação PaqTcPB, Carlos Minor Tomiyoshi - também Doutor em Engenharia Mecânica pela Unicamp - a rede chegou a um tal ponto de desenvolvimento que já está "incubando incubadoras". "Já estamos em um terceiro nível, o de fomentar empresas que trabalham no incentivo e suporte para outras", revelou.
De acordo com Tomiyoshi, tanto a geração de tecnologia de ponta em nível local, como a incubação de empresas estão servindo para reter e atrair talentos, bem como serviços terceirizados. "Isso gera um círculo virtuoso de geração de desenvolvimento e qualidade de vida, além da abertura à concorrência internacional e fortes ligações entre universidades e empresas", afirma.
Juntas, as empresas incubadas geram dividendos milionários em dólares para o Estado. Somente através do Consórcio PB-Tech, criado há cerca de três anos e que tem como meta viabilizar a participação de empresas paraibanas em feiras tecnológicas de todo o mundo, os softwares desenvolvidos e exportados rendem lucros na ordem de US$ 700.000 por ano. "Desde o início do projeto até o último mês de setembro houve um lucro líquido na ordem de US$ 1.450.000, além da geração de 58 novos empregos diretos", afirma Marly Medeiros Gonçalves, coordenador executivo do Consórcio PB-Tech. As empresas incubadas e as parceiras, que já andam "com as próprias pernas", já exportam os mais variados softwares para cerca de 30 países.
Phoebus dá solução em POS
Uma nova solução para terminais POS (Point-of-Sale) chamou a atenção dos participantes da 20ª edição da Cartes - a mais importante Feira Mundial de Cartões Inteligentes, realizada na semana passada, em Paris, na França. Desenvolvido pela empresa paraibana Phoebus Tecnologia, o PhBrowser é um navegador Web para POS que permite a implementação ágil e flexível de aplicações para promover captura de transações bancárias e financeiras.
A Phoebus Tecnologia é o único expositor brasileiro no evento. Além do PhBrowser, a Phoebus apresentará ao mercado internacional um outro produto: o PhHUB - dispositivo que permite a captura de dados textuais em terminais POS.
Segundo explicou o Diretor de Atendimento a Clientes da Phoebus, Silvestre Martins Ferreira, o PhBrowser é uma solução inovadora para que as redes adquirentes possam efetuar a captura e processamento de transações através da Web. Além disso, oferece simplicidade e agilidade de integração de terminais POS a autorizadores ou sistemas legados, reduzindo sensivelmente os custos de desenvolvimento, implantação e gestão da solução.
Os terminais POS são largamente utilizados por redes adquirentes de transações de crédito e bancárias nos mais diversos estabelecimentos, o que tem facilitado bastante a vida do consumidor que opta por realizar pagamento por meio de débito em conta ou via cartão de crédito.
Com o PhBrowser será possível promover o rápido desenvolvimento de soluções para captura de transações como cartões de crédito, débito e fidelidade, recarga de celular pré-pago, transações bancárias (saldo, extrato, depósito, saque, transferência, pagamento de contas), consulta a banco de dados de proteção ao crédito (SPC, Serasa, ACSP) dentre outras.
Já em relação ao PhHUB, Silvestre Martins destacou a praticidade aliada ao baixo custo. "É um dispositivo que possibilita que seja conectado simultaneamente a uma única porta do terminal, um teclado simples de PC e um dispositivo serial como um leitor de código de barras. Ele chega ao mercado de hardware como uma alternativa acessível, prática e mais barata", assegura
o empresário.
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