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POLÓS DE VANGUARDA
O fenômeno iniciado na década de 70 em São Paulo se transforma em um negócio de 1 295 companhias que geram 73 mil empregos no País
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Força do interior: Campinas conseguiu atrair grupos estrangeiros como a IBM, Compaq, Hewllet-Packard e Motorola
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Campinas, no interior de São Paulo, é parte de um fenômeno que se multiplica no País desde a década de 70, mas que ganhou dimensão econômica, peso político e reconhecimento internacional apenas nos últimos dez anos. A cidade conseguiu atrair multinacionais como a IBM, Compaq, Motorola e Hewllet-Packard que lá fazem pesquisas, fabricam equipamentos e desenvolvem softwares. Atualmente são 65 companhias que
geram 1.000 empregos diretos. É o mesmo princípio em Campina Grande, interior da Paraíba. Das 70 empresas de tecnologia da região, dez especializadas em desenvolvimento de software conseguiram entrar em mercados interessantes como o chinês e o espanhol. Atualmente no Brasil há 33 pólos de ciência e tecnologia que reunidos têm 1.295 empresas em funcionamento e geram 73 mil empregos. “Os pólos são importantes porque distribuem boas idéias e conhecimento em todo o País”, diz Alexandre Moura, diretor da Light Infocon, de Campina Grande.
O mais interessante é a forma como essas companhias se relacionam na tentativa de ganhar contratos e expandir seus mercados. Elas procuram trabalhar em conjunto para conquistar clientes e mercados. “Há fraternidade empresarial por aqui”, diz Austregésilo Gonçalves, coordenador do pólo de Campinas. As companhias paraibanas montaram uma estratégia única de marketing para chegar ao mercado internacional. A meta é ambiciosa. A pretensão é exportar US$ 2 milhões nos próximos dois anos. Uma das maiores empresas da região é a Apel, especializada em fabricar painéis de mensagens eletrônicas, como aqueles localizados em aeroportos em todo o mundo. A empresa está há 29 anos na região e só agora com a parceria criou coragem para exportar para os países da América Latina.
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Fábio Pagani, presidente do softex: “As empresas de software seguram mão-de-obra qualificada nas cidades”
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A idéia de se reunir para exportar não é privilégio de Campina Grande. O Parasoft, o mais novo pólo de tecnologia brasileiro que está localizado no Pará, tem a mesma ambição. A iniciativa foi tomada e o pólo está em contato com a Câmara Luso-Brasileiro para as primeiras rodadas de negócio. “Temos uma colônia de portugueses muito forte no Estado e resolvemos procurá-los para entender mais o funcionamento do mercado europeu”, diz Gisa Helena Bassalo, diretora-executiva do núcleo de tecnologia de software do Pará. O pólo do Pará pretende associar dez novas empresas a cada ano. Vai trabalhar em parceria com as universidades locais no desenvolvimento de incubadoras de tecnologia. O problema da falta de empregos da região deve diminuir. Essa é uma das principais preocupações do Softex, que reúne as empresas de software do País. “Essas empresas seguram mão- de-obra qualificada nas cidades”, afirma Fábio Pagani, presidente do Softex.
Outra organização que fornece subsídios para os pólos é a Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil). “Este ano vamos fechar parcerias com outros países para o intercâmbio constante de informações sobre nossos mercados-alvo”, diz Juan Quirós, diretor da agência. A primeira parceria foi fechada em abril com a Agência de Promoção da Itália. O acordo prevê uma prospecção comercial da demanda italiana por software, móveis, artesanato, polpas, frutas e flores. Serão incluídos dados como clientes potenciais e produtos concorrentes.
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Alexandre Moura, diretor da Light Infocon: “Os pólos importam porque distribuem boas idéias em todo o País
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O ambiente de negócios exclusivo, que é marca registrada dos pólos, é um fator essencial para o êxito das novas companhias. Daí a idéia de se criar o Porto Digital de Recife, que reúne empresas de produtos e serviços tecnológicos da cidade. Iniciado há três anos com investimento de R$ 33 milhões, o Porto Digital tem 52 empresas instaladas e outras 12 em processo de instalação, além de sete incubadas. Entre as instaladas, a Qualiti é considerada filhote do Porto Digital, pois teve origem na Universidade Federal de Pernambuco. Seu foco é na certificação de processos de produção de software. Em 2002, faturou R$ 1,5 milhão. A indústria de tecnologia é importante para a economia do Estado. Em 2002, a receita das empresas representou 1% dos R$ 2,5 bilhões do PIB.
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Austregésilo Gonçalves, de Campinas (SP): “Há uma fraternidade empresarial por aqui”
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Cluster. Sai o sotaque nordestino, entra o mineiro. Outro centro de tecnologia bastante desenvolvido do País é a Sociedade Mineira de Software, criada em 1992. O pólo tem 60 empresas associadas que, somadas a outras 90 companhias da capital, formam o centro tecnológico de Belo Horizonte. No Sul, a Softsul, agente Softex em Porto Alegre, reúne 140 empresas do ramo instaladas ao redor da capital gaúcha. Trabalham sob o conceito de cluster (cadeia produtiva) e vem contribuindo para o desenvolvimento da região. Sergundo pesquisa realizada com 244 empresas de tecnologia do Rio Grande do Sul (das quais 90% estavam em Porto Alegre), a receita do setor foi de R$ 376 milhões. Apesar da boa performance, as exportações ficaram abaixo das expectativas: em 2002, foram de apenas US$ 2 milhões. “Precisamos de uma política de exportação que dê resultados”, diz José Antonio Antonioni, presidente da Softsul. Por isso a idéia de se trabalhar em pólos é um sucesso há 30 anos. Juntas, as empresas de tecnologia ganham força para brigar por novos mercados.
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