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Cinco companhias da Paraíba fecham negócios durante a CeBit
Programa paraibano ganha destaque em feira alemã
Daniel Rittner, De Hannover, Alemanha
Valor Econômico
Um grupo de paraibanos com sotaque carregado tenta mostrar na Alemanha tudo o que um estrangeiro jamais imaginaria poder encontrar justo no interior da Paraíba: softwares bons e baratos. A Cebit, maior feira de informática do mundo, que acontece todos os anos em Hannover, conta desta vez com a presença de quatro empresas de Campina Grande e uma de João Pessoa - é quase metade da delegação brasileira.
Elas chamam pouco a atenção em meio a loiras estonteantes que apresentam ao público as últimas novidades em tecnologia da informação. Mas estão fazendo ótimos contatos - sem contar que, sozinhas, tem uma participação na feira maior do que muitos países inteiros, como México e Argentina.
Todas são empresas pequenas, com até cem funcionários, e querem tirar proveito da desvalorização do real e dos baixos custos de inovação tecnológica no país. O software que a Insiel Tecnologia Eletrônica desenvolveu para empresas de segurança particular em lojas e residências, por exemplo, é vendido por US$ 300. Seus concorrentes canadenses cobram até US$ 5 mil por um sistema bem parecido.
O programa da Insiel aciona a prestadora dos serviços de segurança no momento em que os alarmes disparam. Como a maioria das empresas da região, a Insiel foi incubada na Universidade Federal de Campina Grande. Criada em 1995, já fatura R$ 2 milhões e vê suas receitas crescerem 20% ao ano. Para Juan Pinheiro, diretor administrativo da companhia, chegou a hora de apostar no mercado externo.
A expectativa é fazer a primeira exportação ainda em 2003. Com preços atrativos e o know-how adquirido nas cidades brasileiras, a empresa está pronta para entrar no mercado europeu. "Por incrível que pareça, a demanda por segurança na Europa é crescente", afirma Pinheiro.
Prestes a completar 20 anos, a Light Infocon exporta US$ 200 mil anuais em softwares. Já tem clientes na China e na Espanha, onde fornece programas para o Ministério da Defesa. O diretor de marketing, Alexandre Beltrão Moura, reclama do preconceito que muitas vezes dificulta a venda de tecnologia desenvolvida na Paraíba.
Segundo ele, chega a ser mais fácil entrar em mercados distantes que exportar para os países sul-americanos. Moura pretende iniciar nos próximos meses o fornecimento de software para a Austrália. O que deve aumentar em 50%, para US$ 300 mil anuais, as receitas da empresa com exportação. "Tecnicamente não devemos nada a nenhum dos nossos concorrentes e oferecemos preço 40% menor", diz Moura.
As negociações com os australianos começaram em uma feira de informática em Madri, em novembro, e em quatro meses avançaram bastante. É preciso ter paciência, alerta Moura, que já se permite algum otimismo com o resultado da apresentação na Cebit. "Fui procurado por uma empresa inglesa que há dois anos estava buscando o que eu posso oferecer", anima-se.
Acima de tudo, o que as empresas paraibanas tentam é achar bons parceiros comerciais. O objetivo delas em Hannover nem é tanto vender, mas identificar distribuidores que facilitem a entrada em novos mercados. A Zenite, também de Campina Grande, estabeleceu contatos com agentes do Chile, Israel e Equador. Agora está confiante na possibilidade de começar a exportar em 2003.
"Há três meses fizemos algum negócio com a Argentina, mas ainda não podemos dizer que exportamos", conta Bandeira Filho, diretor do departamento de vendas. A empresa produz interfaces de comunicação entre centrais telefônicas e aparelhos celulares. O preço de uma unidade de interface chega a US$ 80. De acordo com Bandeira, é possível encontrar equipamentos semelhantes, dentro da própria Cebit, a ? 470.
Os estandes brasileiros tem pouco apelo. Mas o planejamento das empresas tenta compensar, ainda que só de alguma forma, a modéstia visual. As companhias dividiram a contratação de dois consultores alemães. Cada uma gastou, no máximo, R$ 40 mil.
O repórter viajou a convite do governo da Alemanha
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