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Exportação impulsiona pólo de informática de Campina Grande
Empresas de base tecnológica paraibanas formam consórcio para conquistar mercado internacional
ASN - Agência Sebrae de Notícias - 16/01/2003
Mário Lima
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Campina Grande, na Paraíba, está se tornando um importante pólo de tecnologia. Alexandre Moura, da Light Infocon, já se firmou no mercado internacional
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O pólo é uma oportunidade de negócios em meio à pobreza do Nordeste. São cerca de 100 empresas de base tecnológica que fabricam de tudo, desde software e hardwares a aplicativos e sistemas de segurança e automação comercial.
De acordo com censo realizado pelo pool de empresas do setor na cidade, em abril de 2002, o setor movimenta 500 empregos diretos, com uma massa salarial de R$ 470 e um faturamento anual de R$ 27 milhões (referente a 2001).
De acordo com um dos líderes do mercado, o engenheiro eletrônico Alexandre Moura, da Light Infocon, as empresas de base tecnológica acabam de fechar o primeiro consórcio de exportação, com apoio da Agência de Promoção de Exportação (Apex) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae). "São dez empresas que já tem conquistaram espaço no mercado brasileiro e internacional e agora partem para consolidação das vendas no exterior", assinala Alexandre.
O investimento inicial do consórcio é de R$ 2,5 milhões, patrocinado em parte pela Apex, Sebrae da Paraíba, Federação das Indústrias e Associação Comercial de Campina Grande.
O grande teste será em Março, na Alemanha, na Cebit - uma das maiores feiras mundiais de eletroeletrônica e informática. "A grande sacada é que vamos entrar com vantagem, já que nossos produtos são complementares e em alguns deles não temos concorrentes", afirma o empresário.
Ponte chinesa
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O Light Base, um banco de dados textual multimídia, foi adaptado à língua chinesa e às necessidades locais
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A mistura de chiclete com banana, na música do inesquecível cantor e instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro, ilustra com propriedade o novo nicho de negócios entre Campina Grande com e o mundo.
Campina Grande - O título de capital brasileira do forró é pouco para a desenvolvimentista Campina Grande, no agreste da Paraíba. A cidade ganhou fama internacional e é reconhecida pela comunidade científica com um dos mais importantes pólos emergentes de tecnologia do mundo, em reportagem da revista semanal americana News Week.
O sotaque carregado do nordestino se aliou à complicada língua mandarim, em um negócio que envolve a empresa Light Infocon e empresários e governo da China. O fuso horário não ajuda, o idioma é para lá de incompreensível, mas os chineses se renderam à qualidade do software made in Campina Grande.
O empresário Alexandre Moura, da Light Infocon, com vendas anuais da ordem de três milhões de reais, espera na cidade uma nova missão de empresários chineses para renovar um contrato de quatro anos, de US$ 400 mil.
Os orientais compraram seu principal produto o Light Base - um banco de dados textual multimídia - adaptado à língua chinesa e às necessidades locais. A empresa espera ter um faturamento inicial de US$ 100 mil com o acordo.
"É um negócio que deverá representar até 2004, cerca de 50% de nosso faturamento no exterior", afirma Alexandre, que ainda tem negócios com os EUA, Espanha e uma carteira que inclui clientes nacionais como o Bradesco, a Linhas Aéreas Gol, a Polícia Federal, Receita, Natura, Sistema Único de Saúde, Infraero.
Chineses, italianos, indianos e portugueses são vistos com freqüência na cidade. Eles procuram parceria e buscam a tecnologia avançada do e-comércio, de olho nos programas desenvolvidos pelas empresas de informática local.
A prefeita da cidade, Cozete Barbosa (PT) comemora o avanço no setor, e assegura que a exportação de tecnologia é a nova onda do município. "Nossa cultura empreendedora ganhou asas, fazemos agora negócios da China, usando a tecnologia social como uma política pública a serviço da sociedade, gerando emprego e renda. Temos o software, os calçados, o turismo, a moda emergente do algodão colorido e o melhor São João do mundo", afirma Cozete.
Chave do sucesso
A chave do sucesso é a proximidade das empresas com centros de excelência em tecnologia como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), o Centro do Programa Nacional de Software para Exportação (Softex), verdadeiros ninhos de novos talentos localizados no campus da UFCG, no famoso bairro Bodocongó.
A proximidade de pólos universitários foi um dos motivos que levaram o empresário Alexandre Moura a apostar no setor de informática. Sua empresa atua no mercado corporativo desde 1983, e disputa o mercado externo com gigantes do mercado como a IBM.
Como resultado da boa performance, a empresa tem hoje uma base instalada de dois mil clientes, emprega 40 funcionários, incluindo pessoal que fica em sua filial de Brasília.
Pioneiro no setor, ele conhece como ninguém o grande salto tecnológico de Campina na informática. De acordo com Alexandre, ainda é grande o preconceito do mercado para com a tecnologia brasileira e nordestina.
"Não é fácil ser uma empresa de software nacional em nosso próprio país. Um cliente brasileiro precisou ver nossa solução instalada e rodando na polícia espanhola para fechar o negócio. Mas estamos mudando esse conceito", diz Alexandre.
Hoje a empresa já tem mais de 75 marcas registradas e um crescimento anual médio de 35% em suas vendas. Ele revela que o mercado vai ganhar mais corpo, com a recente criação da nova Universidade Federal de Campina Grande. Para o Sebrae ele desenvolveu e prepara a expansão da Biblioteca Temática do Empreendedor (BTE) - que pode ser visitada pelo site www.bte.com.br
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