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Brasil nas prateleiras de todo o mundo
Exportar tem vantagens, mas requer uma forte rede de relacionamentos e bons parceiros. Como vantagem sobre nosso maior concorrente, a Índia, temos a nossa criatividade. Em vez de meros reprodutores, somos capazes de criar produtos diferenciados
Jornal da Tarde
De São Paulo
Há 20 anos, quando criou a Light Infocon Tecnologia ( www.lightinfocon.com.br) em parceria com dois sócios, o engenheiro eletrônico Alexandre Moura já pensava em exportar. "Se as multinacionais concorrem aqui conosco, podemos fazer o mesmo com elas lá fora", argumenta. "Além disso, sempre acreditamos que era importante captar em moeda forte para sobreviver às flutuações da economia interna", completa.
Instalados em Campina Grande, no interior da Paraíba, assinaram o primeiro contrato no Canadá - um dos sócios era canadense. "Para exportar, é muito importante ter uma rede de relacionamentos eficiente e influente. Afinal, um dos quesitos mais importantes no mercado de importações é a credibilidade", avalia.
Com amigos e parceiros no exterior (os dois brasileiros da sociedade tinham estudado no Canadá e nos Estados Unidos), o processo foi mais fácil. "Até hoje, não temos escritório fora. Ter os parceiros certos elimina essa necessidade", afirma. "Encontrá-los pode ser um pouco difícil. E aí, é importante não desistir e continuar tentando."
Moura não concorda com as comparações feitas entre as indústrias de software do Brasil e da Índia. Para ele, nossas empresas são muito mais criativas.
"Os indianos produzem muito, mas nós somos capazes de apresentar produtos muito mais interessantes e diferenciados", avalia.
Ele não é o único a pensar assim. À frente da PCA Proactive Answers, Paulo Custódio concorda. "Temos uma vantagem em relação à Índia: nossa mão-de-obra é mais criativa e mais qualificada", assegura. Com dez anos de experiência, a empresa abriu, recentemente, um escritório em Madri. "Nenhuma empresa de software vai sobreviver se ficar restrita ao Brasil. Seremos devorados pelas multinacionais", ressalta.
Com filiais de empresas estrangeiras no portfólio de clientes, a direção da PCA imaginou que a entrada no mercado externo seria mais fácil. "Vendíamos mais para multinacionais do que para empresas nacionais. Resolvemos arriscar lá fora." Descobriram que esse sucesso interno não era suficiente. "É difícil fazê-los confiar em nossos produtos. Uma negociação no exterior demora em média um ano", conta.
Entre as vantagens da exportação de software, eles apontam o fato de receber em moeda forte - seja ela dólar, euro ou outras. "Não sofremos muito quando há variações na economia brasileira", ressalta Moura. Outro benefício é o glamour: conta pontos aqui no Brasil ter seu produto no mercado externo. "Pega bem dizer que tem clientes no exterior", brinca.
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