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Campina em foco
Caderno Opinião
Jornal da Paraíba
Uma revista de circulação nacional, mostrando como os brasileiros estão entregando-se mais ao lazer, ao contrário dos japoneses que, quanto mais ricos, mais trabalham, apontou quatro festas regionais que maior número de participantes congregam no país: o Carnaval de Salvador, com 2 milhões de pessoas, o São João de Campina Grande, com 1 milhão, a festa do peão de Barretos, com 500 mil e o Carnaval do Rio de Janeiro, com 400 mil pessoas. (Veja, edição especial)
Não é sem razão que um apreciado apresentador de programa matinal em uma rádio FM da cidade, todo dia se refere a Campina Grande como “a capital do forró”. Já houve tempo em que os campinenses se ufanavam quando ouviam as expressões “Campina Grande, a capital do trabalho”.
Mas há também um outro lema que a cidade está conquistando: “a cidade da tecnologia”.
Já nos referimos ao assunto em outras oportunidades. Voltamos a ele diante de uma publicação da “Computerwold”, edição 362, que fala do desenvolvimento da informática na cidade sob o título: “Fortaleza e Campina Grande eficiência em prol da tecnologia”.
O informe começa falando a respeito do que pode fazer a união de empresas e universidades com o apoio do governo, referindo-se ao desenvolvimento da indústria de informação na capital cearense.
Quanto a Campina Grande, a publicação recorda a classificação dada à cidade entre as nove “Tech Cities” mundiais, feita pela revista norte-americana “Newsweek” em abril de 2001. Em seguida, ela transcreve o depoimento do empresário Alexandre Moura que começa: “O surgimento de qualquer pólo tecnológico depende de uma universidade forte, e aqui não é diferente.” O engenheiro lembrou que desde os anos 60 começou um curso de engenharia elétrica em Campina Grande, na universidade, o qual evoluiu também para a área de computação.
O movimento de criação de empresas com o incentivo da universidade foi percebido pelo governo estadual nos anos 80, época em que começaram os incentivos para sua fixação. Logo em seguida frisou o empresário vieram o núcleo Softex e a Fundação Parque Tecnológico. Da união das três unidades surgiu a incubação de novas empresas.
Elas começam na universidade. Quando ganham corpo, passam a ser incubadas no Parque Tecnológico, onde ganham apoio comercial, logístico e informações sobre exportações e mercado.
A Fundação Parque Tecnológico, de que fazem parte, também, a Federação das Indústrias da Paraíba e a prefeitura municipal, faz anualmente o censo das empresas da área de Tecnologia da Informação. Em 1998, eram 58 empresas de todos os tamanhos. Atualmente, já são 108 empresas ligadas à área e esse número parece assombroso aos que estão mais ligados aos eventos festivos e turísticos da cidade.
Mais assombroso ainda é saber-se que uma das empresas locais de TI, a Light Infocon, tem um canal na Espanha e uma parceria na China, devendo iniciar ainda neste ano a venda de seus produtos naquele país.
Podemos alegrar-nos com a repercussão do São João de 30 dias em todo o Brasil, porém há outros motivos de entusiasmo e contentamento no mundo ainda subterrâneo do desenvolvimento das empresas de alta tecnologia que funcionam em Campina Grande. Grandes empresas, como o Bradesco, a Natura, Gol Linhas Aéreas, a Receita Federal, a Polícia Federal usam software produzido em Campina Grande.
Parece estar aqui, no grande desempenho de Campina Grande na Tecnologia da Informação, um duplo desafio: para a nova Universidade Federal de Campina Grande e para o próximo governo do Estado.
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